quarta-feira, 21 de maio de 2008

Escravidão.


Quando penso na maneira que a maioria das pessoas enxerga o mundo, eu fico irritado.

Mas quando eu penso um pouco mais, já não sei de quem é a culpa.
Fomos todos criados num ambiente individualista e instruídos por nossos pais a não confiar nos nossos semelhantes, a não emprestar nossos brinquedos aos amigos, pois eles podem quebrá-lo.

Cada um com o seu. Propriedade privada.

Fomos instruídos a confiar na “gente grande” sempre. A dedurar os colegas faltosos. Não confie em ninguém, a não ser no Estado.

Fomos instruídos a rezar e a louvar um ser supremo. O criador de tudo e de todos. Um ser grande, forte, poderoso e capaz de fazer o que bem quiser. Fomos instruídos desde sempre a obedecer sem questionar, pois existe alguém que sabe de tudo e o que é melhor pra todos.

Quando eu era pequeno, tinha medo de Jesus Cristo. Não sei bem o motivo. Mas achava ele um ser um tanto quanto vingativo. Tanto poder na mão de um só. Isso é injusto!
Aquelas histórias que me contavam sobre o tal Deus, me soavam como ameaças.

Lembro que era obrigado a rezar na escola, a professora dizia-nos para não imaginarmos Deus como um velho de barba branca e sim como uma luz, “A Luz da Esperança” ou algo assim.

Mas eu não sei como é que eu posso ter esperança em Deus ou qualquer outro sistema que diz que minha opinião não é importante.
Para mim isto não tem muita diferença de escravidão.

Escravidão intelectual.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Apelidos ainda mais desagradáveis.

Burguês.

Ta aí um apelido que eu nunca queria ter.

Por causa de uma meia dúzia de críticos principalmente dos anos 70, ser chamado de Burguês hoje tem um tom pejorativo enorme. Só que eu acho que a maioria das pessoas não sabe por que.

Quase todo mundo que eu conheço passa a maior parte do tempo de suas vidas preocupados com o que compraram, vão comprar, ou com o que os outros compraram.

O chato é que eu não conseguiria deixar de me sentir um idiota se eu também fizesse isso. Não consigo entender por que tem que ser tão importante me importar com esta coleção de itens fúteis e inúteis.

A matéria supérflua não se resume aos objetos, mas também aos donos desses objetos. E o pior é que tudo o que gira em torno do estilo de vida da maioria das pessoas é completamente diferente da minha forma de pensar.

Eles só sabem falar sobre estas futilidades. Sobre suas tão importantes “baladas”. E comentam sobre a vida uns dos outros. Agem diferente quando estão em frente à pessoa do que se estivessem falando dela.

Eu odeio este espetáculo de covardia. Eu odeio essas festas cretinas. Eu odeio os olhares que são trocados. Estão o tempo todo medindo uns aos outros. Comparando.

Eu prefiro os apelidos que me dão a ter o apelido de Burguês. Por que isto é algo que eu desprezo.
Se tiver que ser assim, prefiro ser um eterno eremita.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Os Apelidos.

Eu acho que um grande número de pessoas tem a ilusão de que crianças são seres lindos e inocentes e é a sociedade quem corrompe nossos anjinhos.

Antes eu achava isto também.

Mas não demorou muito para eu perceber que estava errado.

Foi só dar uma olhadinha no espelho e perguntar se era mesmo verdade.

E eis que aquele carinha lá de dentro deu um sorrisinho ordinário que me fez lembrar da minha infância.

E foi quando me lembrei da era dos apelidos.

Em como as crianças se esforçavam para imaginar as coisas que mais ofendessem umas às outras para ficar fazendo colocações sádicas. Era um show de humilhação alheia que era o principal entretenimento das pessoas.

Todos procuravam alguma coisa que você tivesse de esquisito para tentarem te humilhar por aquela diferença. Seu nariz é grande demais. A tua testa. Você é vesgo. Dentuço. Gordo. Magricela. Esquisitão.

Antes eu ficava irritado com apelidos.

Mas aí percebi, que acontecesse o que acontecesse, iriam me apelidar de qualquer jeito.

E preferi receber os apelidos a ser como eles.

Pois apelidos não representam nada.

O que me define é o que eu faço.

E eu não quero fazer isto.

terça-feira, 13 de maio de 2008

O Jogo.


Quando eu entrei no jogo, as regras já estavam estipuladas.

Nem me perguntaram se eu queria jogar.

Foram me enfiando na brincadeira e dizendo uma série de castigos que eu receberia se contrariasse essas regras. Isso é certo e isso é errado. Isso vale e isso não vale.

Ninguém nunca me perguntou nada. Não perguntaram se estava bom assim ou assado. Foram me enfiando garganta abaixo regras que comecei a achar absurdas.

São as famigeradas “normas” da sociedade.

As regras do “Jogo”.

“Se você fizer isto as pessoas vão pensar aquilo de você. Se você vestir isto, vão achar que você é aquilo. Se experimentar aquilo vão te obrigar a fazer isto.”

Mas eram relações de causa e efeito no mínimo absurdas.

Eu não conseguia entender por que o modo de se vestir, pensar ou agir de uma pessoa deveria me fazer ter por ela a mesma opinião que os outros têm.

E como eu não participava muito bem da brincadeira começaram a me excluir do jogo.

E agora me chamam de anti-social.

E é triste, sabe.

É uma vida solitária esta de anti-social.

É como brincar sozinho. O tempo todo.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Quem e Por quê.

Eu sei que sou diferente das outras pessoas.

E por ser diferente, não sou bem visto.

Parece que o mundo não quer me deixar tentar ser do jeito que sou.

Ou pelo menos do jeito que eu penso que sou.

Pois se nem eu mesmo sei o que sou, quem são os outros para poderem me dizer?

E vivo me perguntando... Qual a diferença entre eu e a maioria das pessoas que convivem nessa sociedade?

Eu quero ser o que penso. Não quero ser definido por nenhuma posse ou pelo meu aspecto físico.

Por que quando paro para me perguntar sobre essas coisas, sempre chego à mesma pergunta...

Com o que devo me preocupar?

O que é realmente importante nesta vida, no final das contas?

Quais são as minhas prioridades na vida? Quais são as das demais pessoas? E por fim, quais realmente deveriam ser as verdadeiras prioridades das pessoas?

Eu não sei, mas não consigo pensar em nada na minha vida que possa ser mais importante que minha própria mente.

Pois sem ela, nada mais existe.

Eu sei que existo e que tudo em minha volta é do jeito que é por que minha mente me diz que tem que ser assim.

sábado, 3 de maio de 2008

Saudações.


Saudações a quem estiver lendo, seja lá quem você for.

Meu nome é Ernesto Gelain. Tenho 20 anos. Não trabalho. Não faço curso nenhum. E também não acredito que nada disso possa me definir como pessoa.

Terminei o colegial e ainda estou pensando no que vou fazer com minha vida. E eu não quero ter que seguir nenhuma cartilha estipulada por outra pessoa. Quero fazer do meu jeito, mesmo que possam dizer que errei.

Por que se eu perceber que isto aconteceu, quero saber que foi por conta própria e não por que confiei na idéia de outra pessoa.

Sei que o tempo que me é disponível é muito curto para qualquer coisa, então eu vou simplesmente viver um dia após o outro e ver no que vai dar.

Só que às vezes vejo-me metido em uma gigantesca melancolia. Peço para que os dias passem e me deixem em paz. Mas aí eu me pergunto o que é que estou fazendo com esta chance que me foi dada.

Eu sinto que, como qualquer outro ser humano, eu tenho a chance de fazer algo grandioso com minha existência.

Mas o convite para a redenção é por demais tentador e essa vontade de desistir, de qualquer coisa que seja, me acompanha a cada segundo.

E assim sigo...

Rumo à trama do grande mistério que é o dia-a-dia.